Clínica Bonaldi

TRATAMENTO CLÍNICO

Por que uma operação para a obesidade?

Porque se sabe que, quando se chega a um determinado ponto na obesidade, provavelmente, não há método, regime ou plano de ação que sirva; somente a cirurgia. É simples. É possível que você tenha experimentado na pele: depois de uma "dieta maravilhosa," depois de ter se submetido a diversos tratamentos, hoje tem o mesmo peso que antes ou uns quilos a mais. Você não é a exceção, 96% dos grandes obesos que se submetem a um regime ou qualquer que seja, têm o mesmo peso ou mais ao cabo de um ano.

Para quê uma operação para a obesidade?

A operação para a obesidade tem basicamente duas finalidades: a primeira é diminuir a sensação de fome que tem o doente obeso, e a segunda é produzir uma sensação de plenitude, de "enchimento" com muito pouco alimento. Se a pessoa não sente fome e se sente satisfeita com pouca comida, invariavelmente perderá peso, pois o seu corpo utilizará a energia que tem acumulada como gordura e a usará no dia a dia.

Como se faz uma operação para a obesidade?

A operação de obesidade se faz basicamente reduzindo a capacidade do estômago, em outras palavras, fazendo um estômago pequeno, e dependendo da técnica sem ferir nem mutilar o resto do estômago. Isto se obtém cirurgicamente ao formar um pequeno saco com o estômago remanescente, com corte e grampos de titânio, de forma que o doente tenha, ao acabar a operação, um estômago muito reduzido do tamanho normal.

Operações para a obesidade severa - Poderei viver com um estômago tão pequeno?

Sim, e isto é importante. Uma pessoa pode viver se come menos calorias do que gasta seu organismo, sempre e quando tenha reservas de gordura como as que têm um obeso. A base das operações é esta: que o doente coma pouco, não tenha fome e consuma as reservas de gordura do seu corpo.

Como é a operação?

Há três tipos básicos de operações:

A primeira chama-se Derivação Gástrica que, em inglês, denomina-se Bypass Gástrico. Nessa operação, o pequeno estômago que forma o cirurgião se une ao resto do aparelho digestivo mediante uma ponte (derivação ou by-pass) do intestino. O resto do estômago continua vivo, com suas artérias, veias e nervos conectados ao resto do aparelho digestivo.

A Segunda chama-se Gastroplastia Vertical ou em manga, nesta não se mexe no intestino. Mediante um sistema de grampos de titânio, se forma um pequeno estômago na parte vertical do mesmo, isso reduz a capacidade do reservatório gástrico p/ em torno de 250ml (normalmente pode chegar a 1,5 a 2 litros), porém tem como desvantagem a ressecção do restante do estômago.

Finalmente a terceira chama-se Cirurgia de Duodenal Switch.
Essa técnica consiste no alimento passar por um estômago reduzido cirurgicamente sendo mantida a válvula natural (piloro). Ocorre assim um fenômeno restritivo à passagem do alimento. Esse alimento percorre 2 metros de íleo onde recebe o suco bileo-pancreático. A mistura percorre a 100 cm da válvula ileocecal e desemboca no intestino grosso. Estas operações têm como vantagem poderem ser realizadas por vídeolaparascopia que, como se sabe, é chamada cirurgia de invasão mínima, onde o abdome não é aberto e se pode operar através de incisões muito pequenas, de 5 a 10 milímetros de largura. Do ponto de vista técnico, há certas variantes de cada técnica e os especialistas em cirurgia da obesidade tentam constantemente melhorar e simplificar suas técnicas. O mais importante é que o cirurgião que realiza estas operações tenha uma grande experiência em cirurgia do abdome, em particular cirurgia do estômago e intestino, que tenha experiência na cirurgia dos doentes obesos.

Como sei que sou candidato à cirurgia?

Uma pessoa é candidata à cirurgia se tem um excesso de peso de 50% ou mais sobre o peso ideal; se tem, de acordo com uma tabela especial que usam alguns especialistas, um Índice de Massa Corporal maior de 40 Kg/m² ou 35 kg/m² se houver como consequência de sua obesidade problemas ou doenças como diabetes, hipertensão, lesões nos ossos e articulações ou as outras doenças associadas. Na atualidade utiliza-se também o estudo da percentagem de gordura corporal para decidir a operação. Uma pessoa sã deve ter de 14 a 23% de gordura no seu corpo, a mulher pode ter entre 17 e 27%. Quando a percentagem de gordura é muito alta, 45, 50 ou 60%, essa gordura no corpo seguramente afetará a saúde. Em todo caso, é conveniente consultar a um especialista de cirurgia de obesidade para saber mais detalhes a respeito.

Que estudos são necessários antes da cirurgia?

Além da história clínica que fará o cirurgião com todo o cuidado, o paciente passará pela avaliação de toda a equipe de cirurgia bariátrica, realizará todos os exames pertinentes e avaliações necessárias. Não se deve esquecer que estas operações não são urgentes e que devem ser tomadas todas as precauções necessárias para oferecer o melhor a cada paciente.

Que devo fazer antes da operação?

A vida e a alimentação são normais até a noite anterior à operação. Arrume uma malinha para passar em média dois dias no Hospital. Esteja de jejum total durante 12 horas antes do horário marcado para a sua cirurgia e esteja no Hospital no horário estipulado pelo seu médico para a internação. Qualquer dúvida entre em contato ou agende uma consulta.

Quanto tempo tarda a operação?

O tempo operatório oscila entre uma hora e meia a três horas, dependendo da dificuldade técnica de cada caso.

Haverá muitas dores ao acordar?

Não, houve dois grandes avanços neste sentido: o primeiro deve-se aos modernos medicamentos que o anestesiologista utiliza na operação, que permitem que o doente durma e acorde sem problemas; o segundo: deve-se aos novos medicamentos analgésicos, que permitem que a dor diminua notavelmente ou quase desapareça. Por estas duas razões, o despertar da anestesia é tranquilo e o doente pode movimentar-se e caminhar em poucas horas depois de ter sido operado.

Que acontecerá depois da cirurgia?

O cirurgião encarrega-se de que a ventilação e a hidratação do doente sejam adequadas e prescreve também três tipos de medicamentos: analgésicos para tirar a dor, antibióticos para prevenir o crescimento de micróbios e evitar uma possível infecção, e anticoagulante para "afinar" o sangue, onde no doente obeso há uma maior propensão de causar trombos dentro das veias. O mais importante é que tão logo, que o doente se recupere da anestesia, pode se movimentar, sentar, levantar e caminhar, e isso o faz sentir-se melhor após a cirurgia.

Quando volto pra casa?

No segundo dia pós-operatório inicia-se uma alimentação específica para os primeiros quinze dias pós-operatórios e algumas horas após pode ter alta do hospital.

O que eu vou comer?

O cirurgião fará a indicação de forma clara e demonstrativa de como você se alimentará, sobretudo nos primeiros dias depois da operação. Vale a pena imaginar que o estômago recém-operado é como o de um bebê, e tolera somente líquidos nos primeiros dias.

Quando volto à minha vida normal?

Em todas as operações do abdome, em especial as do estômago, recomenda-se tradicionalmente um período de recuperação de pelo menos quatorze dias. No caso da cirurgia da obesidade, contanto que a pessoa obesa tenha cicatrização normal, a alta do hospital se faz em média em 48 horas (a estada é mais breve em casos de cirurgia laparoscópica); o doente operado pode ter sua vida normal desde quando sair do hospital. Poderá subir e descer escadas, caminhar, tomar banho, etc. Não se deve fazer grandes esforços que possam machucar a ferida abdominal; entre o 7° e o 10° dia pós-operatório serão retirados os pontos da pele e dreno se houver. A partir desse momento, a atividade poderá ser normal; o exercício esportivo poderá voltar em aproximadamente quatro semanas e em duas para a vida sexual.

Quanto de peso perderei depois da operação?

Em termos gerais, os doentes obesos perdem de 8 a 12 quilos no primeiro mês e depois de 3 a 5 quilos por mês, o que significa uma média de um quilo por semana.

Continuarei perdendo peso?

Não, o organismo tem uma capacidade de adaptação, de forma que, ao se aproximar do peso ideal, geralmente uns 10% acima do peso ideal, se estabelece um equilíbrio e já não diminui. A estabilização se dá em média com 1 ano a 1 ano e 2 meses após a cirurgia bariátrica.

O que é controle?

O controle e seguimento pós-operatório é um dos pontos mais importantes na cirurgia da obesidade. Se um cirurgião vê um doente com pedras na vesícula, por exemplo, e o opera, ao operar elimina o problema e o doente está por assim dizê-lo curado. Mas o doente obeso ao acabar a operação continua sendo obeso e é necessário o seguimento e controle por parte do cirurgião para que os resultados sejam melhores. Neste sentido, a cirurgia da obesidade se parece à cirurgia de transplantes; um transplante pode ter êxito, mas o doente transplantado tem que continuar indo ao médico para saber como evoluiu, para prevenir problemas, e ajudá-lo a reabilitar-se totalmente.

E como será a famosa vida nova?

A Vida Nova que deve fazer o doente obeso operado consiste numa mudança de hábitos pouco saudáveis por hábitos sãos. Não haverá dietas, mas é preciso que o doente aprenda a comer como come uma pessoa magra. Associado a isso, a Vida Nova do doente operado inclui atividade física, para que seus músculos se movimentem, para que seu corpo fique mais ágil, para que recupere a elasticidade e vigor que havia perdido pela obesidade. Sabemos que a autoestima do doente obeso está deformada ou ausente, mas sabemos que após a cirurgia essa autoestima é recuperada, e faz com que a pessoa se ame, se respeite, cuide-se.

E se não puder ir às consultas?

Sempre se poderá manter o contato com o cirurgião através do telefone, correio, fax, ou o correio eletrônico. Muitos doentes operados, em especial os que vivem no interior do país ou no exterior, se comunicam dessa forma e assim podemos, em contato, fazer um melhor seguimento do seu caso.

Terei desnutrição ou descompensação?

Não, ao seguir a indicação de alimentação adequada, sem dieta, mas sem excessos, a nutrição será completa e não haverá desnutrição. Alguns doentes necessitam vitamina D, complexo B ou ferro, mas cada caso é diferente e deve ser manejado individualmente. Com respeito à descompensação, este é um termo curioso, porque se suporia que você está compensado quando estava gordo, e ao diminuir o peso, se descompensa. Não existe tal doença e, portanto não há perigo.

Poderei ter filhos?

Claro que sim. Um grupo de doentes obesas já havia tido filhos e tiveram outros após a redução de peso. Outro grupo não podia engravidar devido a sua obesidade, que ao desaparecer, permitiu que tivessem bebês sãos. Recomenda-se tentar a gestação após a estabilização do peso que se dá em média após 1 ano e 6 meses.

E se a pele fica flácida?

Isso depende das características individuais de cada indivíduo, porém se necessário a cirurgia plástica pode ajudar a recuperar a silhueta corporal depois da perda de peso.

Qual a operação mais indicada?

Não há uma operação melhor que a outra, só após uma consulta, o médico cirurgião indicará qual a melhor para seu caso.

Poderei fumar ou tomar bebidas alcóolicas?

Dentre os problemas que impedem ou atrasam a cirurgia da obesidade está o tabagismo, por uma razão: todos os doentes obesos têm uma grande limitação de sua respiração, pois seus pulmões e seu tórax estão aprisionados pela gordura ao redor do tórax. Quando o paciente obeso fuma seus pulmões serão ainda mais prejudicados. A manutenção do tabagismo não combina com o estilo de vida saudável que se preconiza para um paciente operado. Em relação ao álcool, seu consumo não será proibido no pós-operatório, mas um dos grandes motivos, se não o maior, de falha na perda de peso após a cirurgia bariátrica é o consumo excessivo de álcool.

Necessitarei de orientação nutricional?

Todos os doentes obesos requerem orientação nutricional e é conveniente que seu médico tenha o apoio de nutricionistas que ajudem na mudança saudável de alimentação. Não esqueça, após a cirurgia não haverá dietas, mas sim uma alimentação balanceada e saudável.

Necessitarei de orientação psicológica?

Uma parte muito importante da atuação do cirurgião de obesidade e seu grupo é a avaliação, apoio e orientação psicológica de cada paciente. Estudos mostram que a maior parte dos doentes não tem graves problemas psicológicos como causa de sua obesidade, mas sim como consequência, ou seja, a obesidade causando conflitos emocionais. Após a cirurgia a necessidade ou não de continuação com o tratamento psicológico se faz caso a caso.

Eu posso conversar com outros doentes operados?

Claro que sim. A Clínica Bonaldi possui vários pacientes operados dispostos a trocar experiências com os pacientes em pré-operatório. Disponibilizamos uma página do Facebook para que esse contato seja feito. Para mais informações, converse com os profissionais da Clínica ou entre em contato pela página da Clinica Bonaldi no Facebook.